Vacinação em Belo Horizonte vai começar na quarta-feira (20)

Estimativa da prefeitura leva em consideração o cronograma do governo federal; efeitos intensos da pandemia ainda devem durar até junho

A tão aguardada vacinação em Belo Horizonte deve se iniciar simultaneamente ao cronograma do Plano Nacional de Imunização (PNI), do governo federal, segundo informações da prefeitura da capital. Em coletiva de imprensa realizada neste domingo (17), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, informou que a imunização da população brasileira vai começar na próxima quarta-feira (20).

Questionada sobre a data de início da imunização em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Saúde não respondeu as perguntas de O TEMPO sobre a previsão.

As duas vacinas anti-Covid (Oxford/AstraZeneca e Coronavac/Butantan) foram aprovadas ontem, para uso emergencial, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Devido ao uso emergencial, a fase inicial só pode imunizar um restrito grupo de pessoas, formado por trabalhadores da área da saúde, pessoas de 60 anos moradoras de lares de longa permanência, idosos acima dos 75 anos, população indígena, comunidades ribeirinhas e quilombolas.

A prefeitura da capital frisou que aguarda o recebimento das doses para colocar o plano de imunização municipal em prática. Para isso, serão utilizados os 152 centros de saúde da cidade,  além do envolvimento de outras instituições públicas e filantrópicas. Os idosos residentes em lares de longa permanência serão vacinados por equipes volantes.

O Executivo municipal informou que dispõe de dois milhões de seringas para realizar a vacinação dos belo-horizontinos. “O número é suficiente para atender as primeiras fases da campanha, e novas entregas já estão previstas para ampliar o estoque”, informou a prefeitura, por meio de nota.

O protocolo de intenções feito entre a prefeitura e o Instituto Butantan, divulgado em dezembro pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD), perdeu o efeito, já que todas as doses feitas pelo instituto paulista foram adquiridas pelo governo federal e integram o Plano Nacional de Imunização (PNI). O envio das ampolas aos estados e municípios é responsabilidade do Ministério da Saúde.

“Vamos sofrer com a pandemia até junho”, calcula infectologista

Ainda que a vacinação de grupos prioritários comecem nesta semana, os infectologistas lembram que a população precisa continuar investindo nas medidas sanitárias vigentes, como uso de máscaras e distanciamento social. Segundo eles, o efeito da vacina deve demorar alguns meses até que surta efeito em larga escala. “Esse impacto não é tão imediato. Vamos sofrer um pouco com a pandemia até junho”, prevê o infectologista Unaí Tupinambás, que integra o comitê de enfrentamento à pandemia na capital mineira.

Após cerca de 10 meses de pandemia no Brasil, a aprovação das vacinas, ainda que em caráter emergencial, foi recebida com alívio pelo especialista. “Finalmente o Ministério da Saúde se mexeu. Pode ser o começo do fim desse pesadelo”, disse Tupinambás.

Termos seringas, agulhas e imunizante, no entanto, ainda não é o bastante. Conforme explica o infectologista, é fundamental que o governo federal demonstre com clareza detalhes e cronograma do plano de imunização da população. “Temos que cobrar um plano robusto. Precisamos disso o mais rápido possível. Quanto antes começarmos (a vacinação), mais rápido teremos os efeitos positivos”, lembrou o especialista.

Sobre as duas vacinas aprovadas pela Anvisa, o infectologista informou que não houve surpresa, pois as equipes de saúde que atuam no segmento já acompanhavam os dados dos imunizantes durante os trabalhos já apresentados pelos fabricantes. “São duas jóias, duas preciosidades”, comemorou o especialista.

“Esperamos que a Coronavac confirme os achados em sua fase 3 e produza a quantidade de anticorpos para reduzir o número de casos graves, o que vai desafogar a rede pública”, finalizou Tupinambás.

 

Com informações do OTempo