Moradores denunciam agressão policial a mulher grávida em Santa Bárbara; veja

Polícia Militar informou que foram usadas técnicas de contenção, já que ela não queria obedecer às ordens

Moradores de Santa Bárbara, na região Central de Minas, denunciam uma suposta agressão de policiais militares a uma mulher grávida de cinco meses durante uma confusão. O caso aconteceu na tarde do último sábado (23), mas só veio à tona nesta semana.

Nas imagens, é possível ver a faxineira Shirley Conceição da Silva, de 32 anos, discutindo com os agentes de segurança, em uma rua do bairro São Bernardo. Ela aparece dizendo que não vai à delegacia de viatura, já que uma cunhada, com quem ela teria brigado e originado o caso, não iria no mesmo veículo.

Também é possível ver claramente que os militares a derrubam no chão, a chutam e dão socos, antes de imobilizá-la. Ao final, os servidores ainda intimidam as pessoas que filmavam a ação. Assista:

Em vídeo publicado nas redes sociais, Shirley contou a sua versão do caso. “Eu fui espancada pela polícia por um motivo fútil, já que eu estava em minha casa, quando a minha cunhada veio à minha porta me afrontar. Como eu não tenho sangue de barata, eu fui revidar, então, ela chamou a polícia”, disse.

“Se ela tinha o direito de ir de Uber, por que eu tinha que ir no carro da polícia? Falei isso e que eles não colocariam a mão em mim. Pois eles bateram em mim, fizeram aquela covardia toda comigo, estou toda machucada. Eles ainda colocaram como seu eu tivesse agredido eles”, questionou.

Por causa disso, a mulher afirmou que sente medo por possíveis retaliações. “Ameaçaram a minha família para poder pegar o vídeo que o meu tio fez. Eu estou com medo porque esse vídeo está sendo muito divulgado. Se tivesse acontecido alguma coisa com o meu filho, neste momento, eu poderia nem estar aqui. Eu sou mãe de três filhos, e todos eles assistiram a covardia que fizeram comigo”, concluiu.

Outra suposta agressão

Responsável pela divulgação de algumas imagens do caso na internet, inclusive através de uma transmissão ao vivo, a esteticista Gabriela Ramos, de 32 anos, também denuncia agressão e invasão de residência sofrida por militares na noite do acontecimento, justamente devido à exposição do caso.

“Depois que eu postei esse vídeo, eu tive a minha casa invadida por diversos policiais, sofri agressão, tanto físicas quanto psicológicas. Fui detida, apreenderam o meu celular e me levaram para a cidade de Itabira, onde fiquei algumas horas”, contou à reportagem de O TEMPO.

“Houve um grande abuso no fato de os policiais invadirem a minha casa, me dando voz de prisão, não respeitaram a situação da minha mãe, que faz tratamento de quimioterapia, e ela passou mal no momento. É um fato muito constrangedor”, relatou.

Assim como Shirley, Gabriela disse que se sente coagida. “Eu estou com muito medo. Eu moro com meus pais e estou sentindo uma insegurança total, porque eu não consigo entender porque a polícia não me deixa fazer boletim de ocorrência, porque não me deixam prestar queixa contra eles. Eu estou com o meu joelho ralado, minhas costas, meu rosto e meu dedo do pé”, afirmou.

Posição

Em nota, enviada à imprensa, a Polícia Militar informou que foram usadas técnicas de contenção, já que a mulher grávida não queria obedecer ordens policiais. Apesar de as vítimas afirmarem que reclamaram sobre as agressões sofridas, a corporação disse que isso não foi feito, mas um boletim de ocorrência foi lavrado para apurar o caso.

“Os militares então usaram técnicas de contenção na prisão da autora, a qual fora projetada ao solo e imobilizada. O 26º Batalhão de Polícia Militar esclarece que foi confeccionado boletim de ocorrência que contém as ações policiais, mesmo não havendo reclamação formal na unidade da Polícia Militar sobre a citada intervenção”, diz

Com informações do OTempo