Protesto contra fim de auxílio emergencial pago pela Vale dura mais de 30 horas

Cerca de 200 pessoas pedem continuidade dos pagamentos emergenciais por conta do rompimento da barragem na mina de Córrego do Feijão; valores deixam de ser depositados no dia 31 de janeiro

Na semana que o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, completa dois anos, cerca de 200 atingidos participam de um protesto contra a mineradora há mais de 30 anos. Conforme o movimento, o ato acontece em seis pontos da cidade: em portarias da empresa e nos bairros mais afetados pela lama. Em pelo menos duas áreas, há bloqueios para a passagem de pessoas e veículos em Córrego do Feijão.

Entre as principais reivindicações do protesto, que começou na madrugada da última quinta-feira (28), está a manutenção dos pagamentos emergenciais feitos pela Vale para toda a população de Brumadinho e quem vive a até 1 km da calha do rio Paraopeba até Pompéu, no Centro-Oeste de Minas – ao todo, mais de 106.000 pessoas recebem o auxílio. Os valores, que começaram em abril de 2019, deixam de ser depositados no dia 31 de janeiro.

“Também pedimos a manutenção das buscas e a reparação dos danos causados pela mineradora a muitas pessoas de toda a região. Até agora, não foi emitida nenhuma possibilidade de prorrogação dos auxílios e as pessoas sequer foram avisadas, o que deixa muitos na incerteza”, conta Eduardo Fróes, uma das lideranças do movimento.

A expectativa é que o protesto só termine quando o grupo for recebido por representantes da empresa. “Ainda não fomos procurados por ninguém”, acrescenta Eduardo. De acordo com dados da Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social, contratada como assessoria técnica, mais de 54% dos atingidos em Brumadinho não exercem nenhuma atividade remunerada, o que pode agravar as condições de vida das famílias com o fim do pagamento do auxílio.

Prefeitura também defende continuidade

O prefeito de Brumadinho, Avimar Barcelos (PV), também defendeu a manutenção dos valores até que os estudos sobre os pagamentos sejam concluídos. “Muita gente foi mandada embora após o rompimento. Cortar o valor neste momento é errado. É uma pequena contrapartida que a Vale está dando para a população pelo que ela provocou. A mineradora deveria aguardar o retorno das assessorias técnicas, que estão avaliando quem realmente precisa receber”, disse.

Em dezembro de 2019, a empresa já havia cortado o valor pela metade – um salário mínimo por adulto, 50% por jovem e 25% por criança – para a população que não vive nas áreas mais atingidas pelo mar de lama, como os bairros Alberto Flores e Parque da Cachoeira.

A Vale ainda não se manifestou sobre o ato.

 

Com informações do OTempo