Volta às aulas em MG: anúncio de retomada traz insegurança para profissionais

Professores relatam que algumas instituições não estão adaptadas para seguir os protocolos de segurança

O anúncio feito pelo governo Minas, nesta quarta-feira (24/02), com o novo protocolo para a retomada das aulas presenciais no Estado, ainda sem data definida, trouxe esperança para pais de alunos da rede estadual, mas ao mesmo tempo insegurança para os profissionais da educação que atuam, principalmente, em escolas públicas de regiões carentes, como Ribeirão das  Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo as secretarias estaduais de Saúde e Educação, os municípios e as escolas terão autonomia para definir a data do retorno do ensino presencial que deverá ser facultativo, seguro, gradual, alternado e com ensino híbrido.

Para Rodrigo Marçal, idealizador do Movimento Pais pela Educação Pública e pai de três filhos – Rebeca, 13 anos, Estevão e Artur, de 14 – que estudam na rede municipal e estadual, respectivamente, saber que as autoridades (governo de Minas e Prefeitura de BH) estão se posicionando sobre a retomada das aulas é positivo.

“Estamos há muito tempo na expectativa da volta às aulas. Ver as autoridades definirem protocolos para essa retomada e se posicionarem deixa a gente com esperança, mas fico um pouco desconfiado, pois até agora a gente só tem visto anúncios. Voltar mesmo que é bom nada”, diz.

Já a professora da rede estadual e psicopedagoga, Patrícia Maria dos Reis, que trabalha com alunos da educação básica, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital, diz que apesar dos protocolos divulgados pelo Governo Estadual, a instituição onde trabalha não está preparada para a volta das aulas presenciais.

“Minha escola não está preparada, pois não tem espaço físico adequado para receber os alunos com o distanciamento social exigido. Não temos segurança para voltar para a sala de aula. Eu só voltaria com a vacina, acho que é a forma mais segura. Trabalho em uma região carente e sei que ali, as pessoas não têm tanto acesso aos protocolos de segurança contra a Covid-19, como eu tenho. Existe uma diferença absurda entre alunos de uma escola pública na Savassi, em Belo Horizonte, e de um bairro periférico de Ribeirão das Neves”, diz.

Belo Horizonte

Apesar de o Estado divulgar os protocolos para a volta das aulas presenciais,  em Belo Horizonte, essa decisão continua sendo da Prefeitura e dos membros do Comitê de Enfrentamento à Epidemia da Covid-19. Os infectologistas do comitê se reuniram, hoje à tarde, e anunciaram que vão aguardar até semana que vem para definir uma data para o retorno das aulas presenciais na capital. O comitê concluiu que, apesar da estabilidade nos índices, o Carnaval e o avanço da pandemia no interior do Estado pode interferir nos indicadores da Covid-19 do município, usados como parâmetro para a flexibilização dos serviços na cidade.

Rodrigo Marçal é a favor da reabertura das escolas e diz que não vê necessidade de a Prefeitura esperar até semana que vem para decidir sobre a retomada das aulas presenciais na capital. “Estamos vendo todo tipo de atividade funcionar normalmente na cidade. As escolas são as únicas que estão pagando mais caro, até agora, pelas consequências da pandemia. Ninguém ficou parado por tanto tempo. Já está provado que a escola não é a vilã da pandemia. Temos que voltar as aulas de maneira responsável, com segurança”.

A presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Zuleica Reis, definiu a decisão da PBH de esperar mais uma semana para definir a reabertura das escolas na cidade, com uma única palavra: decepção.

“Estivemos hoje na Prefeitura reunidos com os assessores da Secretaria Municipal de Governo para tratar sobre o assunto. Nos foi garantido que o retorno seria no dia 01 de março. Pela terceira vez, em reunião na prefeitura, criamos expectativas para o retorno seguro e responsável, que não vai acontecer como previsto. Para o momento, o nosso sentimento é de exaustão e decepção”, disse.


 

Com informações do OTempo