Igrejas se adaptam à nova rotina na pandemia

Transmissões online são saída para chegar aos fiéis após restrições funcionamento durante a onda roxa

Neste um ano de pandemia, as igrejas católicas de Betim tiveram que se reinventar para continuar a levar mensagens de fé e esperança para os fiéis. Em meio a decretos que determinavam o fechamento ou autorizavam o funcionamento, mas com restrição de pessoas e outras medidas de biossegurança, as missas online com transmissão por redes sociais foram um dos principais caminhos adotados para conseguir atingir os católicos, principalmente nesse período tão crítico emocionalmente para toda a população.

Foi assim na Paróquia São Francisco de Assis, no bairro Angola, que é responsável por seis igrejas na cidade. Segundo o padre e pároco Renê Lopes, no início da pandemia, com o fechamento das atividades não essenciais, a única forma encontrada foram as celebrações virtuais transmitidas ao vivo no Facebook e Instagram da igreja. Depois, com a adoção de decretos menos restritivos, essas mídias digitais continuaram sendo usadas para transmitir as missas que, foram retomadas, mas com público menor: o número de pessoas foi reduzido para 110 (eram 500 antes).

“As redes sociais são a ferramenta que temos para atingir os fiéis. É claro que elas não atingem todos na sua totalidade, já que temos um público muito idoso que ainda não tem muita destreza com as redes. Mas, com certeza, ela foi uma ferramenta essencial para não deixarmos de lado a evangelização, o exercício da fé e a propagação da piedade”, afirmou o padre.

Agora, com a determinação do Estado para que todos os municípios aderissem à onda roxa, as igrejas voltaram a ficar fechadas desde a última quarta-feira (17), sendo permitida apenas a visitação de fiéis sozinhos para oração. E esse fechamento acontece justamente em uma das datas mais importantes para o catolicismo: a Quaresma. Na Semana das Dores, que começa no dia 21, a paróquia ficará aberta das 15h às 18h, para a visitação individual.

Na paróquia Nossa Senhora do Carmo, no centro, a situação não foi diferente. A igreja, durante o período em que eram permitidas as celebrações presenciais, isolou bancos, reduziu o número de pessoas, media a temperatura na entrada e higienizava as mãos dos fiéis na entrada e na hora da distribuição da comunhão.

“Também tivemos que investir em câmeras, suporte para fazermos as transmissões das missas pela internet e criamos um canal no YouTube. Isso tudo para que pudéssemos chegar às casas das pessoas. Agora, com o novo decreto, não teremos missas online, mas a igreja estará aberta em alguns horários para visitação”, disse o padre e pároco Hélio Parreiras.

A professora Carla Adriana de Jesus Ferreira, 50, faz parte do movimento Mães que Oram Pelos Filhos, da paróquia São Francisco. Às quartas-feiras, elas faziam orações online em um pequeno grupo para levar a mensagem para às mães que estavam em casa. “Com o novo decreto, da onda roxa, não estaremos mais nem online. Com isso, vou agora buscar outras formas para sustentar a minha fé em Deus através dos meios de comunicação. A fé nos ajuda a vencer e a ter a mente mais tranquila, pois Deus age em nossas vidas”, disse.

Evangélicos também se reinventam 
As igrejas evangélicas também viram sua rotina mudar com a pandemia. Com as restrições, as transmissões online também passaram a ser uma saída para se aproximarem das pessoas.

A igreja do Evangelho Quadrangular, por exemplo, aumentou o número de cultos por semana para que o número de pessoas ficasse mais dividido nos templos quando os decretos ainda permitiam as celebrações com presença de fiéis.

“Estamos ainda lidando com essas restrições, que são necessárias. Na pandemia, com menos pessoas nos cultos, aumentamos o número de celebrações, seguindo todos os protocolos sanitários, até porque, as pessoas precisavam se sentir seguras nos templos. Investimos na comunicação online. Também passamos a ampliar os atendimentos individuais. A igreja tem sido um alento para as pessoas nesse momento tão delicado, tanto que percebemos o aumento de novos fiéis”, afirmou o pastor Ricardo Lana.

O pastor e presidente da Assembleia de Deus de Betim, Nehemias Araújo, conta que a sua congregação também adotou um novo modelo para chegar aos fiéis.

“Com o novo decreto, vamos deixar os templos abertos apenas para orações individuais ou para as pessoas que queiram algum aconselhamento pastoral. Estamos fazendo transmissões dos cultos online para podermos chegar às casas das pessoas. É muito importante trabalhar o lado espiritual. Temos muita gente afetada pela pandemia de alguma forma, seja por perdas financeiras, de vidas ou mesmo pela depressão. Precisamos mais do que nunca de refúgio espiritual e buscar a paz em Deus”, destacou Araújo.

O pastor Rodinei Medeiros é responsável pela igreja Batista da Lagoinha em Betim e em outras cidades. Ele conta que a congregação também assinou um termo de conduta para que pudesse realizar cultos presenciais durante a pandemia, seguindo os protocolos de biossegurança, conforme relatou o pastor. Agora, com uma nova fase de restrições, haverá pastores de plantão, e transmissões dos cultos online.

“Estamos perdendo muitas coisas. Quando a gente pensa no futuro, sabemos como a geração dos nossos filhos terá dificuldades, como a questão da escola, por exemplo, as perdas humanas e todas as dificuldades da pandemia. A igreja tem o trabalho de provocar que as pessoas cresçam na fé, pois quem perde a fé, perde a esperança, a alegria. Precisamos evitar isso. Não percamos a fé”.


 

Com informações do OTempo