Covid-19 e as variantes do coronavírus: o que são e quando se preocupar

No Tim-tim por Tim-tim desta semana, explicamos o que são as variantes do coronavírus e como elas afetam a pandemia de Covid-19

Você já deve ter ouvido falar sobre as tais variantes, novas cepas, mutações do coronavírus que circulam por aí, não é?

Algumas delas têm preocupado a população e causado um aumento de casos de Covid-19 no Brasil, mas por que será que isso acontece?

Aqui vamos te explicar tim-tim por tim-tim tudo o que você precisa saber sobre elas.

O que são variações de vírus?

O professor de genética humana da UFMG Renan Pedra é quem explica do que se tratam as variantes.

As variações vêm da mutação do vírus, que é um processo natural de todos eles porque eles se multiplicam. Os vírus replicam o próprio material genético para gerar uma nova unidade. O processo químico que gera essa multiplicação genética envolve falhas, e, por isso, aparecem as diferenças, as variações entre um vírus e outro.

O material genético do coronavírus é composto pela repetição de quatro bases diferentes em 30 mil posições. É a mudança no local onde essas bases aparecem em cada replicação do vírus que determina o nível de variabilidade dele.

É claro que nem todas essas mudanças são contadas como variantes porque a maioria não gera nenhum impacto. Mas quando existe um acúmulo de variações em um grupo de unidades virais, surge uma nova linhagem.

Até o momento, foram registradas 886 linhagens do SARS-CoV-2 em circulação pelo mundo.

Quando devemos nos preocupar com as variantes?

O número de combinações do coronavírus que circulam pelo mundo é assustador, mas apenas duas delas são consideradas variantes de atenção pelo Ministério da Saúde no Brasil: a do Reino Unido e a de Manaus, chamadas cientificamente de B.1.1.7 e P1, respectivamente.

O professor Renan Pedra explica que o que torna uma variante um ponto de atenção são alguns posicionamentos daquelas quatro bases.

Segundo ele, nas variantes detectadas no Brasil, a proteína externa, a spike, que é aquela pontinha na parte externa do vírus, tem mais afinidade com a célula humana.

Isso significa que o vírus com essa característica entra mais facilmente na célula, se multiplica e, assim, é transmitido aos outros.

Então, é verdade, sim, que as variantes podem ser mais transmissíveis.

Variantes agravam a Covid-19?

Uma outra pergunta bastante vista por aí é sobre as variantes serem responsáveis por quadros mais graves de covid-19. O professor responde que ainda não existe um estudo claro que indique que isso seja fato, mas explica que a variabilidade do vírus é um dos fatores que pode ser determinante para o agravamento das infecções.

Além da variabilidade, as pequenas diferenças que os seres humanos têm entre si e o ambiente que o vírus encontra ao entrar no corpo, incluindo comorbidades, por exemplo, também são fatores importantes na análise da gravidade dos casos.

Pedra exemplifica o gráfico da cidade de Araçatuba, em São Paulo, que registrou uma curva crescente de mortes na virada do ano e o único fator visível que poderia explicar a mudança seria a variante de Manaus, amplamente encontrada por lá.

Uma pesquisa recente também aponta que a mortalidade pode aumentar com as infeçções por novas variantes, mas a letalidade do vírus não varia entre a maioria das linhagens.

A mortalidade é o volume de óbitos em relação a toda uma população, e a letalidade analisa o número de mortos em relação aos infectados.

Variantes do coronavírus e os sintomas

Os sintomas da covid-19 são os mesmos, independente da variante que causou a infecção. Não há como saber, sem um mapeamento genético, qual foi a variante que infectou cada pessoa.

O professor explica que não é relevante que cada um dos infectados saiba qual é a variante que causou a doença. Esse é um entendimento importante apenas para equipes de vigilância epidemiológica, que precisam acompanhar a evolução do vírus para propor soluções adequadas.

As variantes do coronavírus afetam a vacinação?

Pode ser que, em algum momento, uma variante do coronavírus afete, sim, a eficácia dos imunizantes. Mas até agora as vacinas funcionam bem contra as linhagens que circulam no Brasil.

O professor destaca que daí vem a importância de impedir o vírus de circular mais nesse período em que estamos iniciando a vacinação. Quanto mais o vírus se espalha, mais ele muda, e quanto mais ele muda, mais perto ele fica de chegar em uma combinação perigosa, que vai escapar da vacina e fazer mais vítimas.

Então, com variante ou sem variante, as medidas de isolamento e distanciamento social, o uso de máscaras e a ampliação da vacinação devem continuar como foco, tanto do governo quanto de cada um de nós.


 

Com informações do OTempo