Homem que raptou, roubou e assassinou enfermeira mineira é preso em Guarapari

Mulher foi sequestrada após sair da unidade de saúde onde trabalhava na segunda-feira (15) e seu corpo foi encontrado cinco dias depois, o suspeito alega feminicídio, mas polícia trabalha com hipótese de latrocínio

O inquérito sobre o assassinato de Priscila Cardoso da Silva, 35, raptada à última segunda-feira (15) em Santana do Paraíso, na região do Rio Doce, está perto de ser concluído pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) que, na sexta-feira (19), cumpriu mandado de prisão expedido pela Justiça contra o principal suspeito do crime, um homem de 49 anos. Depois de desfazer-se do corpo da enfermeira e do carro que dela roubou, ele fugiu para o município litorâneo de Guarapari, no Espírito Santo, onde foi encontrado.

À hora da prisão, investigadores nutriam a possibilidade do suspeito ter mantido Priscila como refém nos dias que se seguiram ao rapto, mas, por confissão do suspeito, descobriram que ele a matou e jogou o corpo dela em um campo onde era plantado eucalipto em Ipaba, também no Rio Doce mineiro. Homem alegou feminicídio. Entretanto, materiais recolhidos como parte da investigação reforçam a hipótese de que tratou-se de latrocínio – roubo seguido de morte, crime cuja pena mínima é de 20 anos.

Histórico

À manhã de terça-feira (16), amigos e familiares de Priscila procuraram a polícia de Santana do Paraíso para relatar o sumiço da enfermeira. À primeira vista, agentes trataram a ocorrência como sequestro e passaram a procurá-la. Filmagem feita por câmeras de segurança de um bar em frente à unidade de saúde onde ela trabalhava indicou o momento que ela foi abordada por um homem aparentemente armado.

Ele, segundo investigação, teria roubado o carro dela, um modelo Chevrolet Ônix de cor branca, e obrigado que a enfermeira entrasse no veículo. Informações que logo em seguida chegaram à polícia revelaram que o automóvel foi avistado no município de Teixeira de Freitas, na Bahia. Um homem foi detido em posse do carro na cidade baiana, como detalha o delegado Alexandro Silveira Caetano.

“Nós conseguimos encontrá-lo (o carro) com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que detectou ter o veículo passado por Governador Valadares no sentido Bahia. A Polícia Militar daquele estado nos ajudou a buscar pelo veículo. A expectativa é de que quando o achássemos encontraríamos o suspeito e a vítima. O que não aconteceu. Na verdade, encontramos apenas o receptador. E ele foi autuado em flagrante de delito”.

À procura do suspeito, a polícia conseguiu identificá-lo e familiares o reconheceram nas imagens coletadas do sistema de monitoramento do bar à rua onde Priscila foi sequestrada. “Nós descobrimos que ele já possuía passagens por homicídio consumado e tentativa de latrocínio, além de uma extensa ficha criminal com delitos violentos. Paralelamente, descobrimos que ele se hospedou em um hotel em Teixeira de Freitas, e logo depois teria partido para Ipatinga em um ônibus que saiu de Prado, na Bahia, com destino a Belo Horizonte”.

No entanto, em parceria com a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), investigadores mineiros acharam o suspeito em Guarapari. “Foi recebida na sexta-feira (19) a informação de que o suspeito escondia-se em Guarapari, onde tem familiares. Nós tínhamos esperança de encontrar a vítima e resgatá-la com vida… Mas, não foi o que aconteceu. Depois de ser preso ele indiciou o local onde deixou o corpo da vítima. Então, trouxemos ele de Guarapari para Ipatinga”.

O corpo de Priscila Cardoso da Silva foi resgatado em uma plantação de eucalipto em Ipaba horas depois, no sábado (20), e entregue à família.

Latrocínio é hipótese da polícia

Indagado sobre a motivação do crime, o homem de 49 anos alegou para o delegado que se relacionou com a enfermeira por três meses, e a sequestrou com o intuito de obrigá-la a retomar o namoro com ele. Entretanto, versão é contestada no inquérito.

“Ele sequer soube informar o nome completo da vítima, não soube informar sobre idade e nem sinais particulares dela, como tatuagem. Ele não soube informar sobre amigos, contatos em comum, quem sabia e quem não sabia desse suposto relacionamento. Ele não tinha nem o telefone da vítima”, pondera Caetano.

Para o delegado, crime tratou-se de latrocínio. “Ele estabeleceu primeiro todo um planejamento, um crime que foi planejado anteriormente. Sabia toda a circunstância habitual da vítima”, detalhou. O crime de feminicídio, que o suspeito afirma ter praticado, é punido com até 30 anos de prisão no Brasil, enquanto a pena mínima para o latrocínio é de 20 anos.

Após a confirmação do óbito, a Prefeitura de Santana do Paraíso decretou luto de três dias. “A notícia da morte da nossa querida Priscila é uma dor irreparável para todos nós”, pontuou a administração municipal.


 

Com informações do OTempo