Belo Horizonte terá primeira semana de cinema negro; evento é gratuito

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Filme “Até o Fim” (2020) será exibido na Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte (Divulgação)

A capital mineira será palco, pela primeira vez, do festival que ficou nomeado como Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte. Serão exibidos filmes que tratam das memórias africanas, diaspóricas brasileiras e africanas (quando um povo é dispersado em consequência de preconceito ou algum tipo de perseguição). O evento on-line e gratuito ocorre entre os dias 10 e 16 de abril, e contará com a promoção de debates e oficinas, e com a mostra Cine Escrituras-Pretas. O festival transmitirá os filmes pela plataforma Todes Play, e os debates serão realizados no YouTube.

O tema da primeira Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte serão as memórias, os registros pessoais e coletivos. Serão 50 filmes, dentre eles, obras realizadas por pessoas negras brasileiras, africanas e da diáspora, com cinco inéditos no Brasil. Isso inclui a exibição do curta inédito do diretor André Novais Oliveira, o Rua Ataléia (2021), que foi filmado em 2011 e finalizado dez anos depois.

A mostra Cine-Escrituras Pretas fará parte da Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte, que contará com uma Sessão Especial, em que o filme Até o Fim (2020), de Glenda Nicácio e Ary Rosa, será exibido. Além disso, outros 33 filmes brasileiros passaram por uma seleção e serão transmitidos na mostra. A proposta da mostra é de fazer um “avizinhamentos entre as obras”, sem indicar um caminho a ser seguido, mas mostrando as particularidades, similaridades e multiplicidades nos filmes realizados por pessoas pretas.

Retrospectiva do Fespaco

O evento da Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte também fará uma retrospectiva do Fespaco (Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou), que comemora seus 51 anos. O festival é o maior do continente, e terá a curadoria da pesquisadora Janaína Oliveira. Ademais, o evento deixará como memória permanente um catálogo de aproximadamente 250 páginas com informações sobre a programação, textos inéditos e ensaios que completam os pensamentos acerca dos filmes.

O catálogo também tem, de forma destacada, as memórias do FAN-BH – Festival de Arte Negra, que é um dos mais importantes eventos do segmento fora do continente africano. A coordenação do festival está por conta da produtora e curadora Layla Braz, que pela primeira vez assume o papel de coordenar e dirigir artisticamente um evento. Em sua visão, a Semana de Cinema Negro pretende destacar o espaço de formação e experimentação desde a equipe que é composta, em sua maioria, por pessoas negras.

“Estive na produção de muitos festivais até chegar na coordenação da Semana. Para a construção deste festival, trago diversas experiências e consciência do que desejo construir através dos meus trabalhos. Assumi um compromisso com processos de formação no audiovisual e busco promover mais acesso a cinematografias de realizadores negros brasileiros, do continente africano e da diáspora”, disse Layla Braz.

Como acompanhar?

A programação da Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte é inteiramente gratuita, e foi adaptada para acontecer digitalmente, por conta da pandemia de Covid-19. A plataforma de streaming onde os filmes serão exibidos pode ser acessada aqui. Os debates acontecerão através do canal do YouTube do festival. O evento está sendo realizado com os recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, e tem o patrocínio da empresa MGS (Minas Gerais Administração e Serviços).

Para mais informações, o público poderá acessar o site do festival a partir do dia 8 de abril, que é o www.semanadecinemanegro.com.br/.

 

Edição: Roberth Costa

Com informações do site BHZ