IML vai esclarecer se morte foi por autointoxicação ou violência física

Promotor acionou ambulância do Mater Dei e médico particular em vez de chamar Samu; Defesa alega que vítima teria se asfixiado, mas fontes da polícia indicam indícios de agressão

Um dos pontos cruciais da investigação policial será descobrir a causa da morte da esposa do promotor André de Pinho, Lorenza Maria Silva Pinho, 41. A defesa do promotor alega que o primeiro laudo médico do óbito, realizado antes de as investigações começarem, aponta que a morte teria ocorrido por autointoxicação causada por expulsão de alimento e outras drogas. Mas o laudo conclusivo feito pelo Instituto Médico Legal (IML) que apontará a causa morte só deve ser finalizado e divulgado em um prazo de dez dias. Fontes ouvidas pela reportagem de O TEMPO revelam que o laudo já aponta indícios de violência física.

Segundo o advogado do promotor, o criminalista Sérgio Leonardo, Lorenza tinha quadros depressivos desde o falecimento da mãe — em 2011 e, de acordo com Pinho, às vezes misturava remédios com bebidas alcoólicas.

“Na manhã do dia 2 de abril, André acordou ouvindo barulhos ao lado da cama, parecia que (Lorenza) estava passando mal, ele achou que era caso de pedir socorro, chamou uma ambulância do (hospital) Mater Dei, que foi lá, mas, ao que tudo indica, ela já havia falecido”, continuou Leonardo.

O advogado alegou que o promotor chamou a ambulância do Mater Dei, e não o Samu, porque os médicos do hospital já atendiam Lorenza com rotina.

Em depoimento à polícia, conforme boletim de ocorrência sobre o caso, Pinho alegou que Lorenza demandava atendimento médico e que, por causa disso, ligou para um médico, por meio da ambulância da rede hospitalar Mater Dei de Saúde. Pinho contou que a mulher foi assistida, em casa, pelo médico Itamar Tadeu Gonçalo Cardoso. Ao chegar ao imóvel, ele teria tentado reanimá-la, sem sucesso.

Diante da morte de Lorenza, o médico, segundo informações repassadas pelo promotor, teria feito a declaração de óbito com a causa da morte da mulher. No documento, ao qual a reportagem não teve acesso, constaria que ela faleceu, por volta das 7h da última sexta (2), e que a causa primária ou básica da morte seria uma pneumonite devido a alimento ou vômito. Já a causa secundária do óbito de Lorenza, de acordo com a declaração, estaria ligada a autointoxicação por expulsão e outras drogas.

Silêncio
A reportagem de O TEMPO esteve, na tarde de ontem, na casa do médico Itamar Tadeu Gonçalves Cardoso, que mora no bairro Castelo, na região da Pampulha. Mas o profissional não quis conversar com a reportagem. A advogada dele, Ana Carolina Santos Leal, informou que o cliente “só vai falar em juízo, ou com a presença da autoridade policial”. Na página dele no Facebook, ele confirma trabalhar no Mater Dei.

Mater Dei

A Rede Mater Dei não confirmou se enviou uma ambulância para atender Lorenza de Pinho na sexta-feira. O diretor-presidente da rede Mater Dei de Saúde, Henrique Salvador, afirmou que não tinha conhecimento sobre o caso.

Velório de Lorenza chegou a ser marcado 

O velório da esposa do promotor André de Pinho chegou a ser marcado para acontecer anteontem. No entanto, diante de suspeitas de feminicídio que já cercavam o caso, a Polícia Civil requisitou o corpo de Lorenza Maria Silva de Pinho, que nem chegou a ser velado e foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) da capital.

Segundo uma fonte ouvida pela reportagem de O TEMPO, que pediu anonimato, uma sala foi reservada no Funeral House pelo promotor André Luis Garcia de Pinho. “O André me disse que ela seria cremada. Disse que esse era um desejo dela. Mas a história está confusa”, afirmou o pai de Lorenza, Marco Aurélio Silva, 72.

O advogado do promotor André, o criminalista Sérgio Leonardo, também confirmou que a mulher seria velada e cremada porque teria um contrato de cremação fechado com a funerária há quatro anos.

A defesa afirmou ainda que o corpo de Lorenza foi direcionado à funerária, e não IML, inicialmente, porque o laudo inicial do médico teria indicado que a morte não havia sido violenta.

Promotor não autorizou perícia no quarto 

O promotor André Luis Garcia de Pinho não autorizou, por livre e espontânea vontade, que os investigadores da Polícia Civil de Minas Gerais, responsáveis pelo caso, fizessem o exame pericial no quarto em que a vítima estava, no apartamento em que eles moravam com os cinco filhos no bairro Buritis, na região Oeste de Belo Horizonte. A informação está detalhada no boletim de ocorrência com os desdobramentos sobre a morte de Lorenza de Pinho, ocorrida na última sexta-feira.

Conforme o boletim de ocorrência, ao ser indagado pela delegada-geral Letícia Baptista Gamboge Reis, uma das responsáveis pela investigação do caso, se o promotor autorizava, por livre espontânea vontade, a realização de exame pericial no apartamento, mais precisamente no quarto onde ocorreu o fato, Pinho não teria autorizado o procedimento.

A defesa do promotor disse que o quarto já estava arrumado e que, portanto, estava “descaracterizado”. Segundo o advogado, a filha do casal teria pedido que o quarto não fosse periciado.


 

Com informações do OTempo